Português [brasileiro], inglês, alemão, italiano, francês, espanhol, mais ou menos nessa ordem e sem querer esnobar, tudo vem e vai com a vida, quem não se comunica se estrumbica, vai daí, sabendo o que se quer dizer, o que conta é a forma, o jeito de, e então se acaba dizendo, no papel ou na rede… a decisão de publicar [ou não] é quase um declamar meu hamlet muito pessoal!


POEMAS DE CRISTAL

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 : ideados noutro tempo como fragmentos de cristal… daí certa “fragilidade”… poemas frágeis? …algo “jovens”, diría hoje, acaso mais tropicais que o desejado, brincalhões, algo assim como let’s play a game… se cai e quebra, well, it’s just a game.
Não sem esmero, mas sim sem grandes pretensões, talvez por isso foram ficando por aí… leitores alemães (melhor, alemãs, das poucas que os leram na versão do autor) levaram-nos, coisa de alemão, por demais a sério… Tiveram seu valor, in illo tempore, e podem tê-lo ainda, em algum momento da vida — da mão que os transcreveu.
Também sei de algum verso que teve seu lugar na boca gozosa de mais de uma criatura, de uma forma ou de outra mais divina que humana – nesse exato momento! – a crer no que se diz em certas horas de penumbra e silêncio, onde falam mais gestos e lábios que mesmo a voz, embora apenas sussurrada entre um ai de dor fingida ou um "ai que bom" de gozo e plenitude.
Fica a ilusão, que não só de pão vive o homem… sed in omni verbo, quod procedit de ore… poetae.

Poemas (seleção):
In memoriam G.R.B.  *  Antigamente  *  O dragão e o santo  *  Anabel  *  Solipsismo



TESSELINHAS (Deslembranças)

tesselinhas240x320Está na primeira página, como “ANTI-PREFÁCIO”:
“Havia um prefácio, e muito bom. Por ir de encontro à sensibilidade de dois poetas, deixa-se de publicá-lo. Mais importante que os poetas é a Poesia… deusa e senhora de pouca conversa e muito mistério… […] Todavia há que respeitar os poetas – gente assustada e de hábitos mansos, igual caramujo ou certas aves. E se sabem tirar mel das palavras, então muito mais.”

Tesselinhas contém a palabra “tessela” (lat. tessella: Cada uma das peças de um mosaico), diminutivo que finaliza com “linha(s)”… jogo óbvio.
O subtítulo “Deslembranças” se refere a um dos poemas do livro. Poderia repetir as últimas linhas do texto anterior (Tiveram seu valor etc.), válidas também aqui, porém… quousque tandem abutere…

Poemas (seleção):
Megalomanias  *  Geografia de Minas  *  Prova da pedra  *  Quatro estações  *  Sonho  *  Anti-soneto  *  O sabor mais sutil



NEM OSTRAS NEM OSTRACISMO

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Título que brinca com o que não gosto nem de “ostras”… nem de “ostracismo”!… [que aliás no meu caso não se aplica.]

“não me atrai a ostra / seu jeito molusco / seu entorno lúrido / seu estar encerrada
numa concha negra / existência côncava / à mercê das águas / do mar da maresia

nem o bicho nem o símbolo / não me perguntem por quê / coisas de montanhês

não me atrai o ostracismo / a má fama as circunstâncias / tão-só o que tem de liberdade
ou a ilusão de… melhor é / pôr-lhe outro rótulo: / banido por livre-arbítrio

o sonho do retorno vai / queimando, vela votiva / no altar das ilusões  …  amanhã tudo é possível”

Há um subtítulo: “versos dispersos” — “são aves de arribação, eis, que os ventos lhes sejam propícios!”

Poemas (seleção): Conhecimento  *  Ceguinho, hein?  *  Bíblica  *  Azulão  *  Filiação  *  Outra pedra no caminho  *  Amor na tarde  *  Ofertório  *  Frankfurt  *  Deus?  *  Ser ou parecer  *  Aretê


entre folha e andorinha

Voo poético a partir da infância nas altas montanhas mineiras de sua terra natal, onde ficaram plantadas na memória do menino as marcas do verde vale aos pés da Serra da Mantiqueira… a vista posta nos altos confins daquele horizonte que de um dia para outro foi obrigado a deixar atrás para enfrentar-se a um novo mundo, por vezes estranho e hostil, e com a ânsia enorme de por fim poder ver o mar, até então apenas um mito inimaginável para sua mente montanhesa…

Esse mar imenso, oceânico, atlântico, que anos mais tarde atravessaria para empreender uma nova aventura vital no velho mundo — concretamente na Alemanha — onde viveu quase mais de meia vida dedicando-se ao que mais lhe agradava e mais feliz o fazia… a música clássica… o canto lírico…

Terminada essa fase da vida trasladou-se à Espanha, terra de seus longínquos antepassados, a curtir finalmente as paragens do mar de Vigo com que havia estado sonhando desde os tempos em que estudava, entre outras coisas, filosofias e teologias, as velhas cantigas de amigo do trovador Martín Codax… «ondas do mar de Vigo…»

Era uma vez / um dia ou a noite desse dia / dois destinos se cruzaram / para engendrar meu destino / nasci
Eis aí o reconto / que a não ser de todo verdade / bom será como invento!


POEMAS DA VIDA INTEIRA

vai cultiva a palavra
escuta o que eu digo
e te alimenta bem
desse livro impossível
teu único sustento
come devora o livro
por dentro… segue
o conselho do anjo…
escreve!

Vou pelo mundo de lápis na mão
adivinhando os nomes das coisas.

A direita pensa um poema
que a mão esquerda dispensa.

Furtiva, insinuante, entre outras apareces,
entre outras apareces e o mundo
se transforma, se incendeia, um véu
negro, um imenso véu negro
cobrindo o contorno de tudo

e ali apenas teu rosto
esse clarão imenso, essa chama viva
em meio à treva de tudo.

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