Prosa de ficção

Ficção ou realidade? Inventar ou presumir de descrever o real?

Tema (re)batido, discutível, de duvidoso rigor, quase beirando o ridículo…
Quem pra dizer que pinta a realidade tal e qual? Que realidade? E como!?…
Deixando de lado socráticos e antecessores, consta que Kant exagerava, a
velha teima em dar razão demais à razão, colega Hegel, outro caturra, quis
ir mais longe e parece que só aumentou a confusão, o temperamental Dr. Schopenhauer confirmava, contrariava, esmiuçava, ria, esbravejava… hoje
anda estamos aí, sem chegar a um acordo, a que aliás nunca chegaremos.
Ou não será que todo e qualquer intento de descrever o real, isto é, fazer
de conta, transforma-se quase automaticamente em ficção?
E que toda ficção ou fantasia é parte integrante da realidade?
Hombre, claro. O óbvio ululante, diria quem sabe quem. Sabemos.

Ficção {em alemão}

Brasileiro escrevendo em alemão… desde quando?

Com efeito, nada fácil. A explicação está na vida, a única possível – e repito
a fórmula de Ortega: eu e minhas circunstâncias.

De alguma forma vamos tentando situar-nos e explicar-nos no mundo em
que vivemos, buscamos fixar ideias e posições no intento de pelo menos
superar o caos que nos circunda, sabendo bem ou mal que por assim dizer
cada vez mais nos acercamos a Sísifo e que do labirinto no qual por acaso
nos vemos metidos não existe saída que nos honre ou dignifique, a não ser
por alguma ação ou palavras, atitudes e decisões que marquem as mínimas
diferenças entre flora e fauna e o nosso enigmático itinerário existencial de
brevíssima passagem e fugaz presença no mínimo espaço, exíguo tempo,
reservados a cada um.

Originalmente escritos em “alemão”, por motivos já expostos noutra página,
sobrevivem dois Títulos.
Fui compondo para meus adentros, buscando, lembrando, inventando, limando,
passando a limpo, revisando e dando mil voltas, imerso nos inevitáveis conflitos
e dúvidas entre a língua materna e a recém-adotada, entre ensaios diários e as
apresentações operísticas, concertos e recitais, e enquanto crescia nosso filho,
com tudo o que isso significa em trabalhos e cuidados.
Após tantas peripécias podem ser lidos agora integralmente…
por quem quiser, é claro!

Eventuais companheiros ou companheiras de aventura [literária/linguística]
que quiserem desfrutar o texto original e “deliciar-se” com as peculiaridades
da cadência germânica, aí está [na seção alemã do site].

Ficção {em português}

É possível para um brasileiro escrever em português… vivendo na Estranja?

Existem precedentes, mais ou menos famosos, mas não vamos apelar, certo?
Além de odiosas, as comparações nunca funcionam. Cada um tem sua história, motivos, circunstâncias, gosto pessoal, amores, desamores, encontros, desencontros, saudade ou não da Terrinha, de sua gente, da música, da língua, etc., ou pelo menos uma saudade diferente dependendo dos vínculos com o que se deixou para trás.

Fatores que podem levar o indivíduo dado a leituras e reflexões a lançar-se à árdua tarefa, ousada e não menos significativa, de deslindar os limites e labirintos que o separam de seu mundo originário, mormente a partir da experiência no mundo em
que vive – e na medida do possível pra não sentir-se de todo perdido, desarraigado, “desarticulado, longe como o diabo”, como se via Murilo Mendes.

eBooks

ARACÉLIA
quando pai e filha cuja mãe de repente

aracelia cover for kindle293No apogeu de sua carreira falece, pouco antes de completar os 40, uma diva da lírica espanhola.

O marido, brasileiro radicado na Alemanha, tem de assumir sozinho os cuidados da pequena Aracélia.
Anos mais tarde, incentivada pelo pai, cabe a ela recompor o perfil da mãe e com isso tentar superar sua perda – e os próprios conflitos.

Buscando monopolizar as atenções do pai, que aparentemente repele supostos assédios de mulheres, estranhas ou conhecidas, Aracélia sofre bruscas alterações de humor e violentos ataques de ciúme.

A aparente normalidade da relação pai e filha dissimula frequentes crises e fortes tensões. A recordação da mãe passa a segundo plano, ganhando maior destaque a própria biografia, sempre à sombra do pai.